sábado, 6 de outubro de 2012

NOVO COMEÇO



Hoje eu me olhei no espelho e depois de dez anos, descobri que eu não fazia mais isto. Por quê? Porque as mudanças físicas, além de serem muito sutis, nossa mente busca de todas as formas sublimar nossas percepções daquilo que nos fará “mal”. Então, já sendo difícil de ver e meu inconsciente fazendo de tudo para que eu não visse, não percebi que havia deixado de ser a mulata faceira que era, para me tornar um corpo desforme sobe alguns panos que servem para esconder o que eu não quero ver e não quero que os outros vejam.
Fugi por dez anos desta visão. Juntei pilhas e pilhas de calças, camisas, vestidos...  E doei porque já não me serviam. E nem assim eu percebi. As roupas passaram a servir para esconder o corpo e não para realçar, para embelezar. Esconder, tampar, disfarçar. De repente estas palavras passaram a fazer parte do meu vocabulário e do meu vestuário. E nem assim eu percebi.  E fui jogando roupas fora, e doando, e formando pilhas...
Hoje, resolvi arrumar meu guarda roupas novamente, porque não estavam mais cabendo minhas roupas e o que eu descobri? Que eu vou deixando as roupas que não me servem no canto e compro outras. Vou fingindo que não estou vendo que elas estão alí e que não estou usando porque não estão mais me servindo.
Eu faço isso a dez anos e só agora eu percebi: eu estou gorda.  E não adianta negar, sublimar, disfarçar, escolher o melhor ângulo.  Eu vou continuar engordando enquanto eu não mudar. É muito difícil. Por isso nosso cérebro faz de tudo pra esconder de nós a realidade. Porque vai nos dar trabalho. Vai dar trabalho pra ele resistir, reeducar, praticar, exercitar. Mas uma hora a gente se olha e percebe que não adianta se esconder de si mesmo e de suas reponsabilidades.
Olhos abertos. É hora de arregaçar as mangas. É hora de recuperar tudo o que se perdeu: vaidade, autoestima, saúde... É hora de recomeçar....